Mar 8

A Estereoscopia ou visão de profundidade ou imagem 3D é um fenômeno natural que ocorre quando uma pessoa observa uma cena qualquer. Trata-se da simulação de duas imagens da cena que são projetadas nos olhos em pontos de observação ligeiramente diferentes, que uma vez fundidos no cérebro fornecem informações quanto à profundidade, distância, posição e tamanho dos objetos, gerando uma sensação de visão tridimensional

A percepção de imagem estereoscópica pode ser obtida naturalmente através da disparidade na retina que é o tecido sensível do olho humano. Outra forma disto ser obtido é aquilo que ocorre nos computadores onde imagens estéreas são geradas em forma de disparidade conhecida como efeito paralaxe.

Justaposição dos termos gregos stereo, relativo a dois (duplo), e scopos, relativo a visão (observador), estereoscopia diz respeito a visualização de um mesmo foco por dois mecanismos de captação de imagens. Em linhas gerais é a imagem percebida pelo cérebro como resultado da combinação de duas imagens captadas por cada olho. Este par de imagens recebe o nome de par estereoscópico (do inglês stereo image pair), podendo ser captado por meio de máquinas fotográficas e câmeras filmadoras para posterior reprodução ou ser produzido por meio de softwares para modelagem virtual, como SkechtUp e 3DStudio MAX.

Os óculos 3D são óculos com filtros polarizantes e que criam imagens ligeiramente diferentes em cada olho o que leva ao fenômeno de percepção de 3 dimensões.

A proposta da observação da trimidensionalidade no cinema e nos filmes de forma geral consiste na criação de imagens semelhantes que trazem ao cérebro a percepção acima descrita. Existem vários sistemas para que se obtenha a sensação de tridimensionalidade:

Anáglifo (óculos a duas cores): utilizam-se filtros de cores complementares, como vermelho e azul ou vermelho e verde. A imagem apresentada, por exemplo, em vermelho não é vista pelo olho que tem um filtro da outra cor. Este sistema, por seu baixo custo, emprega-se, sobretudo em publicações e também em monitores de computador e no cinema. Apresenta o problema da alteração das cores, perda de luminosidade e cansaço visual após uso prolongado. Normalmente o filtro vermelho é usado no olho esquerdo e o azul no olho direito.

Polarização: utiliza-se luz polarizada para separar as imagens da esquerda e da direita. O sistema de polarização não altera as cores, ainda que ocorra uma certa perda de luminosidade. Usa-se tanto em projeção de cinema 3D como em monitores de computador com telas de polarização alternativa. Hoje em dia é o sistema mais econômico para uma qualidade de imagem aceitável.

Alternativo: com este sistema se apresentam em seqüência e alternativamente as imagens esquerda e direita, sincronizadas com óculos dotados de obturadores de cristal líquido, de forma que cada olho vê somente sua imagem correspondente. A uma freqüência elevada, a piscada de olhos torna imperceptível o truque. A técnica é utilizada em monitores de computador, TV e cinemas 3D de última geração.

Para que estas mecânicas funcionem as pessoas devem ter um sistema visual bem desenvolvido onde ambos os olhos trabalhem com boa visão de forma independente. Os erros refracionais devem estar corrigidos e a visão deve ter tido um processo de amadurecimento na infância que permita este tipo de trabalho de sinergia entre ambos os olhos. Existem pessoas que jamais terão percepção de profundidade adequada valendo-se da experiência para sua atividade diária.

Feb 8

Os pacientes, e mesmo os médicos oftalmologistas, dedicam-se muito a entender os caminhos dos olhos, mas pouco discutem acerca da visão. Nossa preocupação destina-se a discussões acerca da córnea, do cristalino, da retina e pouco se fala de sua integração neurológica. Muito embora estas estruturas sejam vitais, o sistema neural trabalha de forma integrada com os olhos e com suas diferentes estruturas intracerebrais e, comparativamente a estrutura de um computador com hardware e software, ainda de forma não totalmente compreendida pela comunidade científica.

Assim ao interferirmos na correção da miopia, por exemplo, ou então ao removermos uma catarata, ocorre uma modificação do sistema visual para a qual o cérebro humano deve adaptar-se. Pequenas modificações impõem adaptações menores e modificações maiores impõem adaptações também maiores do nosso cérebro. Assim fica patente que nem sempre a melhor tecnologia será facilmente adaptável e em muitas circunstâncias nem sempre é fácil orientar nossos pacientes para que tenham a devida paciência neste processo, mesmo porque é imprevisível cercar todas as variáveis envolvidas. Infelizmente, embora seja uma minoria, alguns destes pacientes jamais se adaptarão.

Este raciocínio fica muito claro quando implantamos lentes multifocais em pacientes submetidos a cirurgia de catarata e até mesmo na abordagem da presbiopia, isto é, da vista cansada. As lentes multifocais melhoram muito a qualidade de vida e em geral tem seu melhor resultado quando ambos os olhos tiverem sido operados. Independentemente disto, os pacientes precisam de um tempo para que alcancem o resultado final e um dos maiores desafios da ativiidade médica vem sendo o de saber transmitir ao paciente o fato de que todos passamos por este tipo de mecânica adaptativa. Num plano mais próximo, e, considerando a mecânica da neuroadaptação, este raciocínio é valido também não só nos casos cirurgicos mas também no caminho para o entedimento do porquê de alguns pacientes se adaptarem tão bem ao uso de óculos multifocais e outros não conseguirem.

Nossa visão nasce de uma captação do espectro luminoso e sua passagem pelos diferentes meios de dentro do olho sendo estas ondas luminosas captadas por células localizadas na retina com características e finalidades bastante específicas. Existem fases de amadurecimento nas quais a plasticidade neurológica é maior, portanto deprivações que aconteçam na fase de maturação biológica (primeiros anos de vida) podem ser prejudiciais para o resto da vida. Até recentemente acreditava-se que o cérebro não seria capaz de gerar novas células cerebrais. Os conceitos atuais são que o cérebro está permanentemente mudando física e funcionalmente com a nossa atividade de pensar e aprender.A neurogênese é um processo continuo e que pode ser acelerado por estímulos físicos e mentais ou retardado por outros como o envelhecimento , stress , álcool e doenças degenerativas. Portanto o processo neuroadaptativo acontece como nos casos de pacientes acometidos por acidente vascular cerebral.

O entendimento deste processo de neuroadaptação é fundamental para os pacientes que são submetidos a cirurgia refrativa e para a cirurgia de catarata, pois estas criam modificações que muitas vezes requerem tempo para que o êxito seja perceptível por parte do paciente. Lamentavelmente as discussões nascem do desejo sincero de que o grau residual seja o minimo possivel. Isto é tangivel mas garanto aos senhores que como métrica para o sucesso, não é suficiente.

Claudio Lottenberg

Jan 18

Iniciaremos 2010 com um novo e muito diferenciado parque tecnológico a disposição de você, nosso paciente.

O Intralase é uma tecnologia pautada por um tipo de laser que age concentrando grandes volumes de energia sob um mesmo ponto permitindo cortes precisos de uma estrutura ocular chamada córnea. Com isto torna-se possível uma melhoria significativa nos planejamentos e nas execuções das cirurgias corneanas e aqui me refiro aos transplantes de córnea, às cirurgias refrativas e aos implantes de anel realizados em pacientes portadores de ceratocone. O grau de reprodutibilidade é enorme e a acurácia é diferenciada o que nos permitirá realizar transplantes mais bem planejados com interfaces mais bem definidas e, portanto, com melhores resultados pós-operatórios. Nos casos dos flaps em cirurgias refrativas, que permitem a realização da correção do grau, estes serão mais finos e, portanto, com menor prejuízo para a estrutura do globo ocular levando a uma interface muito mais lisa e com chances de vir a criar menos aberrações. Os anéis intracorneanos passarão a ter sua profundidade melhor estabelecida com diminuição do grau de extrusão.

Ao mesmo tempo também já dispomos de aparelhos de grande importância para analise da córnea e que permitem diagnósticos mais detalhados. Já em funcionamento, estamos utilizando dois novos recursos, o OCT de segmento anterior e o Visante. Estes novos recursos permitem analisar e documentar adequadamente as estruturas do segmento anterior e particularmente a córnea, o cristalino e o ângulo do segmento anterior. Isto permite melhor entendimento de doenças relacionadas a córnea, novas perspectivas para minimizar procedimentos terapêuticos e indicar outros que até então traziam dúvidas para sua aplicabilidade, valendo aqui a particularização do ceratocone. Ainda vale ressaltar a importância destas propedêuticas para um melhor entendimento do Glaucoma e até mesmo da Catarata. São recursos novos, diferenciados e que contribuem quando bem utilizados para uma melhor prática assistencial oftalmológica.

Feliz 2010.

Claudio Lottenberg

Nov 5

Todos querem parecer tão jovem quanto se sentem e a Lotteneyes pode ajudar você a influenciar sua aparência.

Nós sabemos que não há como interromper as mudanças que ocorrem em todos os tecidos do corpo devido a idade. A área periocular é uma das primeiras regiões do nosso corpo a evidenciar os efeitos do ”envelhecimento”. Mas a boa notícia é que agora você pode fazer alguma coisa a respeito disto. Com o uso de Restylane® e Botox® é possível conseguir significativas mudanças na face e principalmente na área periocular sem cirurgia e com resultados muito naturais.

O Restylane® é um preenchimento injetável que aumenta o volume da pele proporcionando redução na aparência das rugas e linhas, aumento do volume dos lábios, definição do contorno facial, além de hidratar a pele dando a ela uma aparência mais saudável.

Mas não é somente preencher rugas e lábios, o Restylane® injetado de maneira correta na região periocular, pode reduzir significantemente a aparência das bolsas sob os olhos (nas pálpebras inferiores) e definir o contorno do supercílio. Para muitos pacientes este é o único tratamento necessário para uma aparência descansada e jovem.

A Dra Claudia Faria, oftalmologista da nossa equipe, esteve no último ano em Los Angeles, nos Estados Unidos, com um dos mais experientes especialistas em uso de Restylane® na região palpebral, Dr. Robert Goldberg (UCLA).

BOTOX® é um tratamento não cirúrgico que atenua linhas e rugas na região frontal (testa), na glabela (entre os supercílios) e ao redor dos olhos (”pés de galinha”). O tratamento consiste em injetar pequenas quantidades do produto em músculos específicos da face, causando uma paralisia temporária desses músculos e com isto as rugas e linhas de expressão tornam-se mais suaves. Os resultados aparecem em poucos dias e o procedimento pode ser repetido a cada 4 meses para sua manutenção.

Ambos os procedimentos são simples, rápidos e realizados no consultório. Não causam mudanças permanentes e oferecem um resultado natural, sem cirurgias. Os tratamentos descritos são extremamente bem documentados em relação a segurança do uso dessas substancias e ao alto grau de satisfação dos pacientes. A mudança na aparência física para a maioria das pessoas leva ao aumento do bem estar, da auto confiança e, consequentemente, melhora a qualidade de vida.

Se você deseja uma avaliação individual sobre qual ajuda podemos oferecer no seu caso, por favor entre em contato e agende uma ”visita”.

Claudio Lottenberg

Jul 28

 

A córnea é uma estrutura lenticular que trabalha no olho com poder refrativo, isto é, tem importante papel óptico na formação das imagens. Formada por cinco camadas, ao apresentar uma fragilidade estrutural em uma delas, pode evoluir para um quadro de astigmatismo progressivo que caracterizam as fases iniciais do ceratocone culminando na necessidade de transplante de córnea. Sua relevância chama cada vez mais a atenção da comunidade cientifica e quase todos conhecem a importância dos transplantes de córnea nas reabilitações visuais. Entretanto, frente ao avançar do conhecimento, novos incrementos tecnológicos vêm permitindo que possamos diagnosticar doenças corneanas cada vez mais precocemente e atuar com maior segurança no atendimento.

Para sua melhor avaliação a topografia da córnea permite um verdadeiro mapeamento dos detalhes desta estrutura. Este exame, juntamente com outros dados, inclui ou exclui candidatos a cirurgia refrativa e permite que detalhemos melhor os dados acerca do ceratocone. O ceratocone é a doença que mais preocupa nas cirurgias refrativas de maneira geral. Caracterizado por um afinamento córneano não inflamatório bilateral, com incidência entre 1 em cada 2000 pessoas, caso nao percebido nas formas mais frustras, pode trazer dissabores no futuro. Isto se aplica não só em relação a quem deseja operar seu grau refracional mas também a quem se preocupa com o envelhecimento.

Traicionalmente , os casos mais agressivos evoluiam para a necessidade de transplante de córnea. Imprevisivel falar ainda em quem assim se encaminhará mas hoje antes deste processo evolutivo algumas medidas podem ser tomadas. Uma delas é o uso da tecnologia de “crosslinking” como elemento terapêutico e ou regulador do ceratocone. Neste procedimento a córnea passa por um processo de retirada do epitélio (sua camada superficial que depois se refaz), recebe uma aplicação de uma substancia de riboflavina que atuando em âmbito molecular é irradiada por cerca de uma hora com luz ultra-violeta e que atua como que fortalecendo a estrutura corneana. Este processo embora não resolva o ceratocone, impede sua progressão e faz com que ocorra uma estabilização.

Este é um avanço de muito significado. Não se aplicando somente aos casos de ceratocone, mas também aos pacientes que foram operados de miopia, astigmatismo e hipermetropia e que desenvolveram ectasisas corneanas, isto é, afinamentos progressivos. O “crosslinking”é uma ferramenta util que permite de alguma maneia estagnar o processo evolutivo destas condições.

A primeira questão , porém, parte do diagnóstico deste afinamento o que é mais fácil nos casos mais expressivos em sinais e sintomas, mas de grande dificuldade nas formas mais frustras. Estes ultimos são pacientes sem qualquer sinal clínico e sem qualquer sintomatologia mas que em algum exame complementar levanta alguma suspeita diagnóstica. Merecem muita atenção, pois podem mimetizar algumas condições de maior ou menor gravidade ou até mesmo serem casos que sejam conseqüência de uso excessivo de lentes de contacto. Neste ultimo grupo existe a necessidade de suspender o uso das lentes para sua melhor avaliação. O aumento da curvatura córneana ocorre, com afinamento do ápice e surgimento de astigmatismo irregular. Eventualmente uma forma de cone na superfície da córnea pode surgir facilitando o diagnóstico clinico. Entretanto antes do transplante , em córneas diagnosticadas como portadoras de caratocone, sem grande processo cicatricial e respeitando-se alguns limites de espessura, existe a possibilidade da implantação de anéis na estrutura corneana. Estes anéis podem em alguns casos melhorar a qualidade visual graças a uma modelagem que incrementa tecido corneano na área central o que pode diminuir as aberrações visuais. Embora somente melhorem e não paralisem o processo evolutivo os aneis intraestromais podem postergar a necessidade de transplante de córnea sendo inclusive removiveis caso o resuldado não seja o esperado. Uma alternativa que hoje se levanta é o da associação dos anéis com o tratamento de “crosslinking” . Um buscando melhoria visual e o outro buscando estabilização da doença.

Apr 27

“O impacto financeiro das inovações tecnológicas é uma questão que preocupa responsáveis por saúde pública no mundo inteiro”

DESDE QUE o presidente Barack Obama assumiu o comando da Casa Branca, o mundo acompanha com expectativa suas decisões relativas à economia e às relações internacionais. Tudo o que ele disse sobre esses temas no discurso de posse repercutiu intensamente e continua no foco dos analistas.

Mas há outros pontos importantes na agenda política do novo presidente, mencionados na posse, que merecem destaque, como os cuidados com a saúde da população. Durante a campanha que o levou a uma eleição histórica, o candidato prometeu curar os males do sistema de saúde americano, que, entre outros sintomas, deixou 47 milhões de pessoas sem assistência.

E, no discurso no qual relembrou os desafios a serem enfrentados por seu governo, apresentou a receita para tratar do problema: “Vamos restaurar a ciência ao seu lugar de direito e empregar as maravilhas da tecnologia para elevar a qualidade da saúde e reduzir seus custos”. Em espiral ascendente nas últimas décadas, atualmente cinco vezes acima da inflação do país, os gastos com saúde nos EUA absorvem 16% do Produto Interno Bruto, representando US$ 2,3 trilhões no ano passado.

Segundo estimativas, 40% desse total se devem às sucessivas inovações tecnológicas introduzidas no campo da medicina, consideradas uma das principais causas da elevação dos custos dos serviços de saúde para os pacientes, os hospitais, os governos e a sociedade em geral.

O impacto financeiro das inovações tecnológicas é uma questão que preocupa responsáveis por saúde pública no mundo inteiro. No Brasil não deveria ser diferente, porque esse custo supera qualquer outro indicador de crescimento econômico e, principalmente, a capacidade de pagamento dos usuários.

Um procedimento de angioplastia (desobstrução de artérias), por exemplo, que custava R$ 9.400 em 2001, hoje custa R$ 55.000, um aumento de 485%. Um estudo sobre a estrutura de custos da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Israelita Albert Einstein mostrou que os preços dos medicamentos subiram 170% nos últimos dez anos. Observa-se é que parte substancial dos recursos contabilizados na área de saúde é drenada para a indústria de equipamentos, próteses, remédios e fornecedores de outras novidades nas mais diversas especialidades.

Indiferentes ao distanciamento cada vez maior da capacidade de pagamento das famílias, dos planos de assistência e do governo, algumas empresas vão aumentando seus lucros, valorizando o preço das suas ações nas Bolsas e tendo como única preocupação os dividendos dos acionistas. No modelo vigente, os elevados investimentos realizados em pesquisas são decididos em função do planejamento mercadológico das empresas, considerando objetivos de “market share” ou de rentabilidade.

Naturalmente, isso não contempla trabalho em rede (que evitaria ter muita gente fazendo o mesmo nada para nada) nem a prática assistencial -e muito menos o que seria o principal para a medicina, que é a pesquisa translacional, ou seja, procurar conectar a investigação científica ao tratamento dos pacientes, a chamada pesquisa na beira do leito, aquela pesquisa que efetivamente agrega valor ao tratamento.

Nem todas as inovações agregam valor ao atendimento do paciente, que é quem deve ser considerado o cliente nesse processo. Por isso é preciso determinar com precisão quando uma terapêutica, um produto ou um equipamento é realmente superior ao que está em uso no momento. A escolha entre o que agrega valor e o que agrega apenas custo para a sociedade é uma tarefa complexa. Como nem todos os profissionais dispõem de recursos para uma análise criteriosa, prevalecem as estratégias de venda dos fornecedores.

Assim, os interesses comerciais se sobrepõem às demandas sociais. E as “maravilhas da tecnologia”, mesmo que não melhorem a qualidade dos serviços, continuam inflacionando os custos da assistência médica.

Já se disse, com razão, que o que é bom para os Estados Unidos não é necessariamente bom para o Brasil. Os sistemas de saúde dos dois países são diferentes, os valores de investimentos em ambos também são muito diferentes, mas, quando se trata do impacto das inovações tecnológicas, elevando os custos dos serviços a níveis preocupantes, a situação e os riscos são os mesmos. E, nesse caso, a receita do presidente Obama pode estar indicando o melhor remédio.
obamahealthcare

Apr 23

No dia 6 de março de 2009, durante a abertura da 32ª Edição do Simpósio de Oftalmologia Moacyr Álvaro (SIMASP- UNIFESP) recebí a medalha Moacyr Álvaro a mais importante laurea outorgada na área de oftalmologia em toda a América Latina. A medalha é concedida às personalidades que se destacaram pela atuação exemplar e dedicação excepcional em prol da saúde ocular, nos cenários nacional e internacional. Além de mim, foram homenageados também: Claes Dohlman do Departamento de Oftalmologia da Harvard Medical School, Miguel Giannini do Centro Ótico Miguel Giannini, Álvaro Ferrioli do Centro Ótico Miguel Giannini, Cristian Luco da Associação Panamericana de Oftalmologia e David W, Parke II da Academia Americana de Oftalmologia. Agradeço à todos pela honra de receber um prêmio tão importante.

Um abraço,

Claudio Lottenberg

Apr 16

O quadro de olho seco apresenta uma prevalencia entre 15 e 20% da população em geral. Com sintomatologia bastante variada, os pacientes nos procuram por razões diversas que vão desde um leve desconforto visual, olho vermelho, sensação de areia, fotofobia leve até quadros que levam a baixa acuidade visual.

Muitas vezes estes quadros clínicos citados acima podem ocorrer em função de quantidades de lágrimas insuficientes. Mas existem casos em que o paciente pode apresentar olho seco mesmo lacrimejando. Isto ocorre em função da má qualidade da lágrima. O paciente produz quantidade suficiente de lágrimas, mesmo assim, apresenta sintomas de olho seco.

Os pacientes que são submetidos a procedimentos oculares cirurgicos são mais propensos a desenvolver quadros de olho seco. Particularmente aqueles que são operados para correção de seus vicios de refração (miopia, hipermetropia e astigmatismo) com bastante frequencia são acometidos mesmo que temporariamente por quadros desta natureza. Justamente por isto é que recomendamos aos nossos pacientes que não deixem de realizar seus exames pós operatórios recomendados, pois estes ajudam a controlar estes quadros e outros que também possam cursar.

O tratamento do olho seco depende de uma avaliação adequada por parte do médico oftalmologista. Em geral utiliza-se reposição de lagrima com lagrimas artificiais, sendo que os casos mais severos podem necessitar de uso de anti-inflamatórios e até mesmo de imunossupressores locais e oclusão de ponto lacrimal.

Feb 5



No passado escrevi sobre a córnea e as técnicas do Cross Link e hoje desejo retomar o assunto com uma visão mais abrangente acerca da própria córnea. Isto porque a patologia da córnea fina e a remoção tecidual causada pelo laser não é de interesse do paciente, o que e compartilhado por uma série de oftalmologistas. O laser, que tem inúmeros atributos técnologicos, tem indicações precisas, porém, mesmo dentro do rigor necessário, complicações podem surgir e cabe ao médico saber como evitá-las ou como lidar com elas. O paciente, por outro lado, quer a visão perfeita e mesmo nos casos em que o laser não é utilizado e a córnea afina por uma condição patologica, nosso papel é fazer o melhor sob o ponto de vista de sua visão.

A primeira questão parte do diagnóstico deste afinamento o que é mais fácil nos casos mais expressivos em sinais e sintomas, mas de grande dificuldade nas formas mais frustras. Estes ultimos são pacientes sem qualquer sinal clínico e sem qualquer sintomatologia mas que em algum exame complementar levanta alguma suspeita diagnóstica. Estes casos merecem muita atenção pois podem mimetizar algumas condições de maior ou menor gravidade ou ate mesmo serem casos que sejam conseqüência de uso excessivo de lentes de contacto. Neste ultimo grupo existe a necessidade de suspender o uso das lentes, o que nem sempre pacientes e medicos acabam fazendo. É aqui a primeira ressalva que temos que fazer pois cirurgia refrativa, por mais evoluida que possa ser, é processo cirúrgico em área nobre do corpo e assim como tudo tem que ser tratada com muita rigidez e seriedade como requisito de seguraça para o paciente. Este deve suspender uso de lentes com orientação médica, repetir exames, estar disposto a dilatar a pupíla e insisto com isto, pois muitas vezes as pessoas desejam banalizar o processo o que não pode ser adimitido quando se trata de Saúde.

O ceratocone é a doença que mais nos preocupa nas cirurgias refrativas de maneira geral. Caracterizado por um afinamento córneano não inflamatório bilateral, com incidência entre 1 em cada 2000 pacientes da população. O aumento da curvatura córneana ocorre, com afinamento do ápice e surgimento de astigmatismo irregular. Eventualmente uma forma de cone na superfície da córnea pode surgir. Embora o ceratocone sempre tenha merecido atenção médica, com o processo de cirurgias refrativas e com o próprio envelhecimento merece cada vez mais atenção de todos. A questão é que num passado recente, afora o papel da adaptação de lentes e futuro transplante, quando necessário muito pouco podia ser feito o que nao é o caso dos dias de hoje. E ainda, em função das próprias ectasias corneanas que surgem como uma complicação da cirurgia refrativa a laser, muito pode ser feito no sentido de melhora visual. Portanto um ponto positivo tanto para as doenças do olho herdadas como para aquelas que surgem como iatrogenia.

Falamos sobre o cross link e seu papel no fortalecimento da córnea em casos em evolução. Reforço hoje ainda mais este ponto. E diria ainda mais acerca desta ferramenta pois ela propõe não só a proposta da estagnação de um quadro evolutivo mas abre a perspectiva para outra inovações que podem ser úteis na restituição da qualidade visual. Portanto hoje aventa-se a possibilidade de fazer-se laser em pacientes portadores de ceratocone pós Cross link , a utilização de anéis corneanos apllcados quase que simultanemente em córneas que seriam submetidas a transplante e portanto uma simplificação e um acesso com menores riscos ao paciente. É claro que isto, em grande parte, ainda se encontra em estudo e cabe a nós enquanto médicos trazer aos pacientes as possibilidades, mas sempre dentro da realidade apoiada em evidências cientificas.

O próximo passo que estará em nosso alcance nos próximos meses será o Femtosecond Laser. Este recurso traz maior previsibilidade no corte da córnea. Com isto aprimorará a forma do médico intervir na córnea com desdobramentos importantes em cirurgia refrativa, nos transplantes de córnea e no tratamento dos afinamentos de córnea como o ceratocone e as ectasias . Reprodutível e mais preciso na capacidade de mensuração traz enormes oportunidades na melhoria dos procedimentos. Com ele estaremos na vanguarda das possibilidades atuais para cirurgia de córnea, mas uma vez mais, caberá ao médico equlíbrio e bom senso evitando riscos, o que é fundamentalmente, saber até onde esta técnologia pode intervir.

Nov 24



A córnea é uma estrutura em forma de lente que trabalha no olho com poder refrativo, isto é, tem importante papel na formação das imagens. É nela que são realizadas a maioria das cirurgias que visão corrigir os erros refracionais, isto é, miopia, hipermetropia e astigmatismo.

Sua relevância chama cada vez mais a atenção da comunidade cientifica e quase todos conhecem a importância dos transplantes de córnea nas reabilitações visuais. Entretanto, frente ao avançar do conhecimento, novos incrementos tecnológicos vêm permitindo que possamos diagnosticar doenças corneanas cada vez mais precocemente e atuar com maior segurança no atendimento de nossos pacientes.

A partir disto, na maioria dos casos é valida uma melhor avaliação da analise topográfica da córnea que é um verdadeiro mapeamento dos detalhes desta estrutura, feita de maneira habitual na pratica assistencial oftalmológica. Este exame, juntamente com outros dados, inclui ou exclui candidatos a cirurgia refrativa e permite que conversemos acerca de uma doença chamada ceratocone por ele detectado, e uma inovação sobre a qual desejo, com vocês, conversar hoje.

A córnea é uma estrutura formada por cinco camadas, a fragilidade estrutural de uma delas pode evoluir para um quadro de astigmatismo progressivo com evoluções permanentes de alta proporção, que podem até culminar em um transplante de córnea. O exame topográfico permite acompanhar a evolução deste quadro.

O fato é que com o envelhecimento, com as cirurgias refrativas e suas conseqüências, este enfraquecimento cada vez mais se fará presente e, portanto isto vem se tornando um ponto de importância na visão de um processo assistencial médico-oftalmológico. Durante minha estada na Academia Americana de Oftalmologia uma das coisas que mais conversamos foi sobre o uso da tecnologia de “cross-link” como elemento terapêutico e ou regulador do ceratocone. Neste procedimento a córnea passa por um processo de retirada do epitélio (sua camada superficial que depois se refaz), recebe uma aplicação de uma substancia de riboflavina que atuando em âmbito molecular é irradiada por cerca de uma hora, atuando como que fortalecendo a estrutura corneana.

Certamente, tudo que escrevi deve parecer aos olhos de um leigo, muito técnico. Mas de fato o importante é a pergunta que formulo a seguir: Isto resolve o ceratocone? Parece que não resolve, mas o fato é que isto impede a progressão e faz com que ocorra uma estabilidade que nos traz novas oportunidades terapêuticas. Em outras palavras o cross-link “segura” a progressão do ceratocone e culmina com uma oportunidade para medidas menos agressivas que num extremo poderiam incorrer em um transplante de córnea.

Considero isto um avanço de muito significado. Não se aplica somente aos casos de ceratocone, mas também aos pacientes que foram operados de miopia, astigmatismo e hipermetropia e que desenvolveram ectasisas corneanas, isto é, afinamentos progressivos.

A demanda por esta técnica, uma vez disseminada a informação e o conhecimento deverá ser grande, posto que a prevalência do ceratocone é alta na população. Ganha o paciente, que passa a ter uma alternativa clinica que não existia no passado. Ganha o medico, que tem agora o que oferecer, e não simplesmente acompanhar. Ganha o sistema de saúde que necessitará possivelmente de menos córneas para transplante e com um ônus muito menor na perspectiva da sustentabilidade.

« Previous Entries