Jul 28

 

A córnea é uma estrutura lenticular que trabalha no olho com poder refrativo, isto é, tem importante papel óptico na formação das imagens. Formada por cinco camadas, ao apresentar uma fragilidade estrutural em uma delas, pode evoluir para um quadro de astigmatismo progressivo que caracterizam as fases iniciais do ceratocone culminando na necessidade de transplante de córnea. Sua relevância chama cada vez mais a atenção da comunidade cientifica e quase todos conhecem a importância dos transplantes de córnea nas reabilitações visuais. Entretanto, frente ao avançar do conhecimento, novos incrementos tecnológicos vêm permitindo que possamos diagnosticar doenças corneanas cada vez mais precocemente e atuar com maior segurança no atendimento.

Para sua melhor avaliação a topografia da córnea permite um verdadeiro mapeamento dos detalhes desta estrutura. Este exame, juntamente com outros dados, inclui ou exclui candidatos a cirurgia refrativa e permite que detalhemos melhor os dados acerca do ceratocone. O ceratocone é a doença que mais preocupa nas cirurgias refrativas de maneira geral. Caracterizado por um afinamento córneano não inflamatório bilateral, com incidência entre 1 em cada 2000 pessoas, caso nao percebido nas formas mais frustras, pode trazer dissabores no futuro. Isto se aplica não só em relação a quem deseja operar seu grau refracional mas também a quem se preocupa com o envelhecimento.

Traicionalmente , os casos mais agressivos evoluiam para a necessidade de transplante de córnea. Imprevisivel falar ainda em quem assim se encaminhará mas hoje antes deste processo evolutivo algumas medidas podem ser tomadas. Uma delas é o uso da tecnologia de “crosslinking” como elemento terapêutico e ou regulador do ceratocone. Neste procedimento a córnea passa por um processo de retirada do epitélio (sua camada superficial que depois se refaz), recebe uma aplicação de uma substancia de riboflavina que atuando em âmbito molecular é irradiada por cerca de uma hora com luz ultra-violeta e que atua como que fortalecendo a estrutura corneana. Este processo embora não resolva o ceratocone, impede sua progressão e faz com que ocorra uma estabilização.

Este é um avanço de muito significado. Não se aplicando somente aos casos de ceratocone, mas também aos pacientes que foram operados de miopia, astigmatismo e hipermetropia e que desenvolveram ectasisas corneanas, isto é, afinamentos progressivos. O “crosslinking”é uma ferramenta util que permite de alguma maneia estagnar o processo evolutivo destas condições.

A primeira questão , porém, parte do diagnóstico deste afinamento o que é mais fácil nos casos mais expressivos em sinais e sintomas, mas de grande dificuldade nas formas mais frustras. Estes ultimos são pacientes sem qualquer sinal clínico e sem qualquer sintomatologia mas que em algum exame complementar levanta alguma suspeita diagnóstica. Merecem muita atenção, pois podem mimetizar algumas condições de maior ou menor gravidade ou até mesmo serem casos que sejam conseqüência de uso excessivo de lentes de contacto. Neste ultimo grupo existe a necessidade de suspender o uso das lentes para sua melhor avaliação. O aumento da curvatura córneana ocorre, com afinamento do ápice e surgimento de astigmatismo irregular. Eventualmente uma forma de cone na superfície da córnea pode surgir facilitando o diagnóstico clinico. Entretanto antes do transplante , em córneas diagnosticadas como portadoras de caratocone, sem grande processo cicatricial e respeitando-se alguns limites de espessura, existe a possibilidade da implantação de anéis na estrutura corneana. Estes anéis podem em alguns casos melhorar a qualidade visual graças a uma modelagem que incrementa tecido corneano na área central o que pode diminuir as aberrações visuais. Embora somente melhorem e não paralisem o processo evolutivo os aneis intraestromais podem postergar a necessidade de transplante de córnea sendo inclusive removiveis caso o resuldado não seja o esperado. Uma alternativa que hoje se levanta é o da associação dos anéis com o tratamento de “crosslinking” . Um buscando melhoria visual e o outro buscando estabilização da doença.

Apr 27

“O impacto financeiro das inovações tecnológicas é uma questão que preocupa responsáveis por saúde pública no mundo inteiro”

DESDE QUE o presidente Barack Obama assumiu o comando da Casa Branca, o mundo acompanha com expectativa suas decisões relativas à economia e às relações internacionais. Tudo o que ele disse sobre esses temas no discurso de posse repercutiu intensamente e continua no foco dos analistas.

Mas há outros pontos importantes na agenda política do novo presidente, mencionados na posse, que merecem destaque, como os cuidados com a saúde da população. Durante a campanha que o levou a uma eleição histórica, o candidato prometeu curar os males do sistema de saúde americano, que, entre outros sintomas, deixou 47 milhões de pessoas sem assistência.

E, no discurso no qual relembrou os desafios a serem enfrentados por seu governo, apresentou a receita para tratar do problema: “Vamos restaurar a ciência ao seu lugar de direito e empregar as maravilhas da tecnologia para elevar a qualidade da saúde e reduzir seus custos”. Em espiral ascendente nas últimas décadas, atualmente cinco vezes acima da inflação do país, os gastos com saúde nos EUA absorvem 16% do Produto Interno Bruto, representando US$ 2,3 trilhões no ano passado.

Segundo estimativas, 40% desse total se devem às sucessivas inovações tecnológicas introduzidas no campo da medicina, consideradas uma das principais causas da elevação dos custos dos serviços de saúde para os pacientes, os hospitais, os governos e a sociedade em geral.

O impacto financeiro das inovações tecnológicas é uma questão que preocupa responsáveis por saúde pública no mundo inteiro. No Brasil não deveria ser diferente, porque esse custo supera qualquer outro indicador de crescimento econômico e, principalmente, a capacidade de pagamento dos usuários.

Um procedimento de angioplastia (desobstrução de artérias), por exemplo, que custava R$ 9.400 em 2001, hoje custa R$ 55.000, um aumento de 485%. Um estudo sobre a estrutura de custos da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Israelita Albert Einstein mostrou que os preços dos medicamentos subiram 170% nos últimos dez anos. Observa-se é que parte substancial dos recursos contabilizados na área de saúde é drenada para a indústria de equipamentos, próteses, remédios e fornecedores de outras novidades nas mais diversas especialidades.

Indiferentes ao distanciamento cada vez maior da capacidade de pagamento das famílias, dos planos de assistência e do governo, algumas empresas vão aumentando seus lucros, valorizando o preço das suas ações nas Bolsas e tendo como única preocupação os dividendos dos acionistas. No modelo vigente, os elevados investimentos realizados em pesquisas são decididos em função do planejamento mercadológico das empresas, considerando objetivos de “market share” ou de rentabilidade.

Naturalmente, isso não contempla trabalho em rede (que evitaria ter muita gente fazendo o mesmo nada para nada) nem a prática assistencial -e muito menos o que seria o principal para a medicina, que é a pesquisa translacional, ou seja, procurar conectar a investigação científica ao tratamento dos pacientes, a chamada pesquisa na beira do leito, aquela pesquisa que efetivamente agrega valor ao tratamento.

Nem todas as inovações agregam valor ao atendimento do paciente, que é quem deve ser considerado o cliente nesse processo. Por isso é preciso determinar com precisão quando uma terapêutica, um produto ou um equipamento é realmente superior ao que está em uso no momento. A escolha entre o que agrega valor e o que agrega apenas custo para a sociedade é uma tarefa complexa. Como nem todos os profissionais dispõem de recursos para uma análise criteriosa, prevalecem as estratégias de venda dos fornecedores.

Assim, os interesses comerciais se sobrepõem às demandas sociais. E as “maravilhas da tecnologia”, mesmo que não melhorem a qualidade dos serviços, continuam inflacionando os custos da assistência médica.

Já se disse, com razão, que o que é bom para os Estados Unidos não é necessariamente bom para o Brasil. Os sistemas de saúde dos dois países são diferentes, os valores de investimentos em ambos também são muito diferentes, mas, quando se trata do impacto das inovações tecnológicas, elevando os custos dos serviços a níveis preocupantes, a situação e os riscos são os mesmos. E, nesse caso, a receita do presidente Obama pode estar indicando o melhor remédio.
obamahealthcare

Apr 23

No dia 6 de março de 2009, durante a abertura da 32ª Edição do Simpósio de Oftalmologia Moacyr Álvaro (SIMASP- UNIFESP) recebí a medalha Moacyr Álvaro a mais importante laurea outorgada na área de oftalmologia em toda a América Latina. A medalha é concedida às personalidades que se destacaram pela atuação exemplar e dedicação excepcional em prol da saúde ocular, nos cenários nacional e internacional. Além de mim, foram homenageados também: Claes Dohlman do Departamento de Oftalmologia da Harvard Medical School, Miguel Giannini do Centro Ótico Miguel Giannini, Álvaro Ferrioli do Centro Ótico Miguel Giannini, Cristian Luco da Associação Panamericana de Oftalmologia e David W, Parke II da Academia Americana de Oftalmologia. Agradeço à todos pela honra de receber um prêmio tão importante.

Um abraço,

Claudio Lottenberg

Apr 16

O quadro de olho seco apresenta uma prevalencia entre 15 e 20% da população em geral. Com sintomatologia bastante variada, os pacientes nos procuram por razões diversas que vão desde um leve desconforto visual, olho vermelho, sensação de areia, fotofobia leve até quadros que levam a baixa acuidade visual.

Muitas vezes estes quadros clínicos citados acima podem ocorrer em função de quantidades de lágrimas insuficientes. Mas existem casos em que o paciente pode apresentar olho seco mesmo lacrimejando. Isto ocorre em função da má qualidade da lágrima. O paciente produz quantidade suficiente de lágrimas, mesmo assim, apresenta sintomas de olho seco.

Os pacientes que são submetidos a procedimentos oculares cirurgicos são mais propensos a desenvolver quadros de olho seco. Particularmente aqueles que são operados para correção de seus vicios de refração (miopia, hipermetropia e astigmatismo) com bastante frequencia são acometidos mesmo que temporariamente por quadros desta natureza. Justamente por isto é que recomendamos aos nossos pacientes que não deixem de realizar seus exames pós operatórios recomendados, pois estes ajudam a controlar estes quadros e outros que também possam cursar.

O tratamento do olho seco depende de uma avaliação adequada por parte do médico oftalmologista. Em geral utiliza-se reposição de lagrima com lagrimas artificiais, sendo que os casos mais severos podem necessitar de uso de anti-inflamatórios e até mesmo de imunossupressores locais e oclusão de ponto lacrimal.

Feb 5



No passado escrevi sobre a córnea e as técnicas do Cross Link e hoje desejo retomar o assunto com uma visão mais abrangente acerca da própria córnea. Isto porque a patologia da córnea fina e a remoção tecidual causada pelo laser não é de interesse do paciente, o que e compartilhado por uma série de oftalmologistas. O laser, que tem inúmeros atributos técnologicos, tem indicações precisas, porém, mesmo dentro do rigor necessário, complicações podem surgir e cabe ao médico saber como evitá-las ou como lidar com elas. O paciente, por outro lado, quer a visão perfeita e mesmo nos casos em que o laser não é utilizado e a córnea afina por uma condição patologica, nosso papel é fazer o melhor sob o ponto de vista de sua visão.

A primeira questão parte do diagnóstico deste afinamento o que é mais fácil nos casos mais expressivos em sinais e sintomas, mas de grande dificuldade nas formas mais frustras. Estes ultimos são pacientes sem qualquer sinal clínico e sem qualquer sintomatologia mas que em algum exame complementar levanta alguma suspeita diagnóstica. Estes casos merecem muita atenção pois podem mimetizar algumas condições de maior ou menor gravidade ou ate mesmo serem casos que sejam conseqüência de uso excessivo de lentes de contacto. Neste ultimo grupo existe a necessidade de suspender o uso das lentes, o que nem sempre pacientes e medicos acabam fazendo. É aqui a primeira ressalva que temos que fazer pois cirurgia refrativa, por mais evoluida que possa ser, é processo cirúrgico em área nobre do corpo e assim como tudo tem que ser tratada com muita rigidez e seriedade como requisito de seguraça para o paciente. Este deve suspender uso de lentes com orientação médica, repetir exames, estar disposto a dilatar a pupíla e insisto com isto, pois muitas vezes as pessoas desejam banalizar o processo o que não pode ser adimitido quando se trata de Saúde.

O ceratocone é a doença que mais nos preocupa nas cirurgias refrativas de maneira geral. Caracterizado por um afinamento córneano não inflamatório bilateral, com incidência entre 1 em cada 2000 pacientes da população. O aumento da curvatura córneana ocorre, com afinamento do ápice e surgimento de astigmatismo irregular. Eventualmente uma forma de cone na superfície da córnea pode surgir. Embora o ceratocone sempre tenha merecido atenção médica, com o processo de cirurgias refrativas e com o próprio envelhecimento merece cada vez mais atenção de todos. A questão é que num passado recente, afora o papel da adaptação de lentes e futuro transplante, quando necessário muito pouco podia ser feito o que nao é o caso dos dias de hoje. E ainda, em função das próprias ectasias corneanas que surgem como uma complicação da cirurgia refrativa a laser, muito pode ser feito no sentido de melhora visual. Portanto um ponto positivo tanto para as doenças do olho herdadas como para aquelas que surgem como iatrogenia.

Falamos sobre o cross link e seu papel no fortalecimento da córnea em casos em evolução. Reforço hoje ainda mais este ponto. E diria ainda mais acerca desta ferramenta pois ela propõe não só a proposta da estagnação de um quadro evolutivo mas abre a perspectiva para outra inovações que podem ser úteis na restituição da qualidade visual. Portanto hoje aventa-se a possibilidade de fazer-se laser em pacientes portadores de ceratocone pós Cross link , a utilização de anéis corneanos apllcados quase que simultanemente em córneas que seriam submetidas a transplante e portanto uma simplificação e um acesso com menores riscos ao paciente. É claro que isto, em grande parte, ainda se encontra em estudo e cabe a nós enquanto médicos trazer aos pacientes as possibilidades, mas sempre dentro da realidade apoiada em evidências cientificas.

O próximo passo que estará em nosso alcance nos próximos meses será o Femtosecond Laser. Este recurso traz maior previsibilidade no corte da córnea. Com isto aprimorará a forma do médico intervir na córnea com desdobramentos importantes em cirurgia refrativa, nos transplantes de córnea e no tratamento dos afinamentos de córnea como o ceratocone e as ectasias . Reprodutível e mais preciso na capacidade de mensuração traz enormes oportunidades na melhoria dos procedimentos. Com ele estaremos na vanguarda das possibilidades atuais para cirurgia de córnea, mas uma vez mais, caberá ao médico equlíbrio e bom senso evitando riscos, o que é fundamentalmente, saber até onde esta técnologia pode intervir.

Nov 24



A córnea é uma estrutura em forma de lente que trabalha no olho com poder refrativo, isto é, tem importante papel na formação das imagens. É nela que são realizadas a maioria das cirurgias que visão corrigir os erros refracionais, isto é, miopia, hipermetropia e astigmatismo.

Sua relevância chama cada vez mais a atenção da comunidade cientifica e quase todos conhecem a importância dos transplantes de córnea nas reabilitações visuais. Entretanto, frente ao avançar do conhecimento, novos incrementos tecnológicos vêm permitindo que possamos diagnosticar doenças corneanas cada vez mais precocemente e atuar com maior segurança no atendimento de nossos pacientes.

A partir disto, na maioria dos casos é valida uma melhor avaliação da analise topográfica da córnea que é um verdadeiro mapeamento dos detalhes desta estrutura, feita de maneira habitual na pratica assistencial oftalmológica. Este exame, juntamente com outros dados, inclui ou exclui candidatos a cirurgia refrativa e permite que conversemos acerca de uma doença chamada ceratocone por ele detectado, e uma inovação sobre a qual desejo, com vocês, conversar hoje.

A córnea é uma estrutura formada por cinco camadas, a fragilidade estrutural de uma delas pode evoluir para um quadro de astigmatismo progressivo com evoluções permanentes de alta proporção, que podem até culminar em um transplante de córnea. O exame topográfico permite acompanhar a evolução deste quadro.

O fato é que com o envelhecimento, com as cirurgias refrativas e suas conseqüências, este enfraquecimento cada vez mais se fará presente e, portanto isto vem se tornando um ponto de importância na visão de um processo assistencial médico-oftalmológico. Durante minha estada na Academia Americana de Oftalmologia uma das coisas que mais conversamos foi sobre o uso da tecnologia de “cross-link” como elemento terapêutico e ou regulador do ceratocone. Neste procedimento a córnea passa por um processo de retirada do epitélio (sua camada superficial que depois se refaz), recebe uma aplicação de uma substancia de riboflavina que atuando em âmbito molecular é irradiada por cerca de uma hora, atuando como que fortalecendo a estrutura corneana.

Certamente, tudo que escrevi deve parecer aos olhos de um leigo, muito técnico. Mas de fato o importante é a pergunta que formulo a seguir: Isto resolve o ceratocone? Parece que não resolve, mas o fato é que isto impede a progressão e faz com que ocorra uma estabilidade que nos traz novas oportunidades terapêuticas. Em outras palavras o cross-link “segura” a progressão do ceratocone e culmina com uma oportunidade para medidas menos agressivas que num extremo poderiam incorrer em um transplante de córnea.

Considero isto um avanço de muito significado. Não se aplica somente aos casos de ceratocone, mas também aos pacientes que foram operados de miopia, astigmatismo e hipermetropia e que desenvolveram ectasisas corneanas, isto é, afinamentos progressivos.

A demanda por esta técnica, uma vez disseminada a informação e o conhecimento deverá ser grande, posto que a prevalência do ceratocone é alta na população. Ganha o paciente, que passa a ter uma alternativa clinica que não existia no passado. Ganha o medico, que tem agora o que oferecer, e não simplesmente acompanhar. Ganha o sistema de saúde que necessitará possivelmente de menos córneas para transplante e com um ônus muito menor na perspectiva da sustentabilidade.

Oct 23

Escrevi este artigo para o jornal Folha de São Paulo no dia 06 de outubro abordando a questão da transparência na área da saúde. Com a chegada das eleições transparência é um tema que ganha importante destaque, ainda mais se tratando de saúde. Espero que gostem.

Fala-se muito em transparência hoje no Brasil, no mundo corporativo, no cenário político e até nas relações pessoais, pede-se, cobra-se transparência. Mas o fato é que a transparência deixou de ser um processo de observação cristalina para assumir um discurso de políticas de averiguação de custos engessadas que pouco ou quase nada retratam as necessidades de populações distintas.

E, em nome de um cenário confuso, isso vem ocultando, na saúde, dados positivos das organizações sociais e vem servindo como uma bandeira jurídica que, no mínimo, mereceria um melhor entendimento, pois as leis, em tese, são criadas para aprimorar a dinâmica do entendimento social, e não para alimentar uma indústria que se afasta progressivamente das necessidades dos cidadãos.

Transparência em saúde é, sim, o custo de cada processo. Mas é, sobretudo, o entendimento pleno de como funciona, como atende, e como beneficia o cidadão. Alguém com justa e adequada formação tem questionado esses valores da assim chamada transparência.

O SUS é uma referencia global em termos de equidade social, mas ainda deixa muito a desejar nos quesitos integralidade, universalidade e mesmo qualidade. Conceitualmente apresenta números atribuídos, mas na prática, ainda merece grandes aprimoramentos. A política de Estado tem evoluído no sentido de encontrar respostas a tais necessidades.

Quando São Paulo cria organizações sociais e o governo ecoa com propostas com fundações é porque, dentro dos grupos técnicos, com um certo e compreensível tempero político, existe a percepção de que algo tem que ser feito a mais para de fato levar a saúde a toda a população.

Discute-se sua natureza jurídica, mas não a inserção da excelência e dos benefícios do modelo de gestão de algumas entidades privadas na prestação dos serviços. Isso em nada nega os princípios propostos pelo SUS, que preconiza o direito de todos e o dever do Estado de garantir a saúde, mas não explicita quem deve prestá-la.

Imaginar que possamos transformar o sistema em função das necessidades da saúde, deixando de reconhecer que há outras formas de garantir a transparência, significa menosprezar o conhecimento da sociedade.

A inserção da iniciativa privada em modelos mais avançados que o nosso e de maior justiça social não é novo. A Espanha o faz há muitos anos, como acontece em outros países europeus, onde os indicadores de qualidade de vida e de desempenho são superiores aos nossos e aos dos EUA.

Isso tem sua lógica, na medida em que estas sociedades se preocupam também com os custos, mas se acostumaram a lidar com dados sobre os quais quase nada é debatido por parte de nossos mandatários da esfera política. A esfera técnica se esforça e demosntra esse conhecimento, mas, no âmbito político, isso em nada parece afetar a consciência dos que se candidatam aos cargos majoritários. Para eles, trata-se da terceirização da saúde, e não de um debate que se pauta pelo entendimento daquilo que pode ser mais efetivo e eficiente.

Ocorre, portanto, um afastamento das necessidades reais com foco no pior dos valores, que é baseado no dinheiro. E partindo de quem, a rigor, defende a saúde como direito social.

O grau de complexidade de uma organização de saúde é enorme e só tende a crescer, por conta de fatores como o envelhecimento da população, novas tecnologias e o papel da indústria farmacêutica. Quanto mais complexo um sistema, maior o número de conflitos. Imagine um Estado pesado, com natureza licitatória lenta, com rigidez de contratações de pessoal e, portanto, sem vocação para lidar com essas demandas, querendo atuar com um mínimo de qualidade.

Aqueles que acreditam na capacidade do Estado de exercer esse papel fogem por completo do conhecimento dos mínimos quesitos de qualidade em saúde, em que o tempo e a agilidade são absolutamente vitais.

Imaginar que a saúde pode esperar no dia-a-dia ou que as contratações podem se dar ao luxo de aguardar pela obsolescência quase imediata de produtos fragmentados é o mesmo que premiar a incompetência que limita a capacidade criativa de quem deve a rigor ser monitorado dentro de indicadores de eficiência.

O Brasil é um país enorme, com grandes heterogeneidades. Seus habitantes tem necessidades singulares. Aqueles com aptidão a ajudá-los, se não estimulados por cenários competitivos, estarão fadados a não encontrar motivação para o exercício de suas funções.

Albert Einstein defendia que, em termos de justiça e verdade, não existiria diferença entre pequenos e grandes problemas: “Para assuntos relativos ao tratamento das pessoas, todos são importantes”. Portanto, trata-se de ver aquilo que é melhor para o cidadão. E, ai, basta a leitura dos indicadores. Essa é a verdadeira transparência.

Oct 2

No próximo Congresso da Alascsa (Asociación Latinoamericana de Cirujanos de Córnea, Catarata, y Segmento Anterior) que acontece em Buenos Aires neste final de semana (4 e 5 de outubro) fui convidado para falar acerca do conceito de qualidade em oftalmologia e entendi que essa informação é útil, tanto para os profissionais quanto para os leigos.

Confunde-se qualidade com o conceito de sofisticação tecnológica. Confunde-se qualidade com o conceito que se atribui ao conforto de instalações físicas. E estes, embora também sejam atributos de uma boa prática, não são os melhores elementos que espelham o conceito da qualidade.

O Institute of Medicine, do Ministério da Saúde Americano, traz no conceito da qualidade um vínculo com a geração de valor. E este valor é representado por algumas áreas de maior importância, sendo a principal delas aquela que se aproxima a segurança do paciente. Qualidade pode ainda estar ligada a atendimento efetivo, eficiente, em prazo adequado e de forma contínua. Assim fica patente que a qualidade de um processo está diretamente representada pelo fato de gerar valor a prática assistencial e que oferte principalmente segurança a aqueles que dela necessitam.

Na Oftalmologia é patente o surgimento de tecnologias novas a cada momento. A remuneração acaba sendo feita em cima destes atributos tecnológicos e não necessariamente do resultado processual. Isto leva a uma prática abusiva em termos de tecnologia e que não necessariamente não reverte a bem de um melhor atendimento oftalmológico. O futuro propõe uma mecânica de relacionamento diferente na qual os profissionais serão remunerados de acordo com o resultado de sua práticas e não mais pelos dados de cada uma das ações que são realizadas. Isto pressupõe que cada um desses profissionais irá de forma mais ponderada avaliar aquilo que agrega valor e evidentemente eliminar disperdícios que não agreguem valor e no sentido mais objetivo, que não agreguem segurança.

Defendo a incorporação tecnológica como um processo qualitativo mas a enxergo dentro de uma mecânica de equidade que reflete o espirito de inclusão social tão importante em qualquer economia deste planeta.

Aug 15



Um dos serviços prestados pela Lotten Eyes que mais cresceu nos últimos meses foi nosso Check Up Empresarial. Sendo assim resolvi dedicar um pouco do meu tempo para falar a respeito dele.

Com o objetivo de oferecer um diagnóstico preciso sobre a situação intra-ocular dos funcionários das empresas, bem como detectar possíveis problemas, a Lotten Eyes passou a realizar dentro do ambiente da empresa, um Check Up oftalmológico.

De maneira eficiente e principalmente, sem atrapalhar o andamento das atividades laborais dos funcionários, vamos com nossa equipe até local desejado e atendemos aqueles que têm interesse em passar por uma avaliação oftalmológica.

Sabemos hoje que a prevenção de doenças é um dos principais fatores que contribuem para aumentar a expectativa e a qualidade de vida das pessoas, sendo assim nosso Check Up presta um importante serviço na medida em que atua no sentido de prevenir doenças intra-oculares, diagnosticando-as com antecedência. Além disso, nosso Check Up contribui indiretamente para uma sensível melhora das atividades laborais já que uma visão saudável é peça fundamental no “quebra-cabeça” da produtividade.

Saiba mais sobre o Check Up Empresarial na página inicial do nosso site.

Forte abraço,

Claudio Luiz Lottenberg

Jul 7

Certamente um dos maiores desafios que a oftalmologia apresenta na busca pela melhoria da qualidade visual sem uso de óculos e, apos os avanços das cirurgias de catarata e de correção das ametropias, reside na questão da Presbiopia.

A partir dos 40 anos de idade, as pessoas passam a apresentar, em quase 100% das vezes, diminuição da capacidade acomodativa, isto é, apresentam dificuldade para enxergar de perto. Isto é fruto do endurecimento do cristalino e ou da menor flexibilização dos músculos ciliares responsáveis por esta mecânica. Existem condições especificas, como no caso dos míopes, que simplesmente retiram seus óculos para longe e enxergam para perto, mas o fato é que o conforto visual desaparece na visão para todos.

A primeira resposta para isto se deu com o surgimento dos óculos que podem simplesmente ter grau para perto ou associar na mesma armação graus para longe e perto simultaneamente. Entretanto as pessoas cada dia tornam-se mais exigentes buscando, na tecnologia e nos médicos, ações inovatórias.

Uma opção não-cirúrgica seria a adaptação de lentes de contacto. A partir daí uma série de possibilidades se abrem, que vão desde as que apresentam visão para longe e para perto simultaneamente, até a técnica da monovisão onde um dos olhos fica corrigido para longe e o outro para perto. Neste ultimo caso e mesmo nos demais o paciente tem que se esforçar no sentido de haver uma adaptação a este novo “modo de enxergar” se assim podemos dizer.

A exigência fez com que a tecnologia avançasse e certamente aquilo que aconteceu com as lentes de contacto também aconteceria no sentido da busca corretiva cirúrgica. Inicialmente, começaram a ser feitas cirurgias corretivas a laser deixando um olho com boa acuidade visual para longe e o outro olho para perto. Podemos considerar esta técnica (conhecida como monovisão) satisfatória e de relação custo efetividade adequada.

Porem, novas perspectivas surgiram com a possibilidade do uso das lentes intraoculares quando da substituição do cristalino em casos de catarata e que também apresentam em suas propriedades a multifocalidade. É sim um método invasivo, pois incorre em remoção de cristalino com sua substituição, mas, esta técnica vem se demonstrando, nos casos de boa indicação, uma satisfatória resposta ao desejo de se ter boa visão para perto e para longe simultaneamente.

O avanço mais recente e justamente aquele que se mostra mais promissor embora ainda restrito a pacientes presbitas e que apresentem um pouco de hipermetropia é o do presbilsaik. Neste procedimento corrige-se o grau para longe e cria-se, por meio da programação do laser, uma pequena alteração esférica chamada “aberração” que permite trabalhar-se na profundidade de foco conjuntamente e com o olho contra-lateral, fazendo com que na visão bilateral exista melhora na sua qualidade para perto. Não são todos os lasers que tem este dispositivo, mas em nossa experiência (com mais de 50 casos operados) podemos dizer que os resultados, se bem orientados, frente as expectativas do paciente, são bastante promissores. Com boa iluminação a visão melhora e o prejuízo para longe se torna mínimo.

O fato é que este processo de diminuição da acomodação afeta a todos nós e que as tecnologias deverão buscar respostas cada vez mais eficientes e seguras para seu tratamento cirúrgico. Cabe ao paciente entender que nenhum deles é perfeito, mas que trazem melhorias na qualidade visual. Cabe ao medico analisar criteriosamente, explicar as vantagens e desvantagens de cada um dos métodos e dentro disto, de maneira criteriosa, decidir qual a melhor alternativa. Nada que possa ser buscado como informação escrita supera o dialogo de médico com o paciente e, portanto, sempre antes de se submeter a qualquer procedimento, esteja seguro de que suas dúvidas foram devidamente esclarecidas.

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